Financiamento de imóveis pela Caixa e o COVID19: Confira as novas regras e veja o que fazer

A pandemia mundial que surpreendeu o mundo, após a chegada do novo coronavírus, está trazendo profundos impactos em diferentes segmentos da atividade econômica nacional. No setor imobiliário a situação não poderia ser diferente.

Uma pesquisa realizada pelo Grupo Zap, divulgada pela CNN Brasil, revelou que a decisão de comprar ou alugar um imóvel deverá ser adiada por 86% dos entrevistados. E destes, 64% pretendem esperar mais que 7 meses para realizar transações imobiliária como estas.



Tentando minimizar os já visíveis efeitos da crise no segmento imobiliário, a Caixa Econômica Federal anunciou, no último dia 9 de abril, uma série de medidas para ajudar o país a enfrentar esta crise, injetando mais de 43 bilhões de reais na economia. A intenção é ajudar mais de 5 mil famílias e preservar mais de 1,2 milhão de empregos.

Dentre as medidas anunciadas para as Pessoas Físicas, duas merecem especial atenção:

  • adiar em 90 dias o pagamento de contratos de financiamento habitacional já existentes, ou negociar um pagamento parcial das prestações. Essa medida beneficia, inclusive, quem está com até duas parcelas em atraso.
  • carência de 180 dias para pagar novos contratos de financiamento de imóvel.

As novas regras já começaram a valer desde segunda-feira, dia 13 de abril. Se a crise se agravar, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, já disse que esse prazo inicial poderá ser ampliado.

Parece tentador, não é mesmo? Mas tais incentivos devem ser observados com cautela. Será que vale a pena aproveitar essas oportunidades oferecidas pela Caixa?



Consultamos os nossos especialistas para entender como essas medidas podem afetar diretamente o seu bolso e quais são as recomendações para enfrentar esse período.

Adiar o pagamento dos contratos de financiamento: vale a pena?

A pausa no pagamento de três parcelas dos imóveis, medida protetiva que poderá beneficiar milhares de famílias, deverá ser analisada com cautela.

Como todo bônus, há um ônus a se considerar antes de aceitar o benefício.

Isso porque o valor das parcelas congeladas, que serão diluídas no saldo devedor do imóvel, poderá corresponder, no final do contrato, ao dobro do que vale hoje. Isso acontece devido aos juros que incidem sobre os contratos de financiamento habitacional.

A decisão vai depender da situação atual do mutuário.



Se fazer essa pausa no pagamento significar um respiro necessário no seu orçamento nesse período de incerteza econômica, a medida pode sim compensar o valor maior a ser pago no final do contrato.

Outro caminho a ser considerado é utilizar o valor das parcelas não pagas agora, para construir uma reserva de emergência.

Reserva de Emergência: o que é?

A reserva de emergência é um montante em dinheiro que deve ser guardado para utilização em situação inesperada. Em condições ideais, ele poderia significar cerca de 6 meses de salário do trabalhador.

A estratégia, que deveria fazer parte da vida financeira de todas as pessoas, visa criar uma espécie de seguro de proteção para o caso de o trabalhador sofrer alguma mudança brusca na sua situação econômica, como ficar desempregado, por exemplo.



A ideia aqui é ter o velho “pé de meia” guardado para usar em momentos especiais.

Se você, trabalhador empregado, está inseguro com o futuro dos negócios na empresa em que trabalha, uma boa estratégia poderá ser guardar o valor não pago no financiamento habitacional para fazer uma reserva, que poderá fazer a diferença mais tarde.

Novos financiamentos: é hora de comprar imóveis?

A outra medida é ainda mais polêmica. Na prática, visando aquecer o setor da construção civil, o governo propõe uma carência de 6 meses para pagar os novos financiamentos habitacionais.

A questão é que, diante do cenário de incertezas econômicas que todos estamos enfrentando, será que faz sentido se comprometer, neste momento, com uma nova dívida assim tão alta, e que durará tanto tempo?

A crise atual está impactando diretamente toda a atividade produtiva mundial. O isolamento social, que obriga as pessoas a ficarem em casa, faz com que elas, naturalmente, consumam menos. Ou, consumam de forma diferente.



Diversas compras passam a ser adiadas ou, até mesmo, perdem o sentido diante do novo cenário. Tudo que envolve uma experiência fora de casa está temporariamente suspenso e não podemos prever até quando tudo isso irá durar.

Ao mesmo tempo, surgem novas demandas por produtos e serviços, e novos modelos comerciais começam a ser experimentados. Mas, tudo ainda é muito recente.

E como será quando essa crise passar? Ninguém tem resposta para essa pergunta ainda.



Se temos alguma certeza é que, na prática, provavelmente o setor econômico em que você atua será impactado. Seja de forma positiva ou não, mudanças profundas ocorrerão em todas as atividades produtivas.

E para avaliar esse impacto, tudo vai depender também de quanto tempo a crise vai durar.

A menos que você seja servidor público com estabilidade, ou faça parte da minoria da população que atua nas atividades que estão crescendo com a crise.

Os especialistas são quase unânimes a sugerir, no cenário de curto prazo, uma atitude financeira conservadora. Pelo menos até sabermos como as coisas irão se organizar.



O consultor financeiro e diretor do Instituto FEBRABAN de Educação, Fábio Moraes, recomenda a cautela: “Em relação ao consumo, eliminar aquilo que não é essencial. Guardar dinheiro para emergências é fundamental. O mais importante numa situação de pandemia que estamos vivendo é termos recursos para alimentação e remédios. O resto, se preciso, pode esperar.”

Ou seja, nesse cenário que estamos vivendo, não é recomendado fazer novas dívidas agora. Principalmente dívidas com um valor alto e duração longa, como é o caso de um financiamento imobiliário para a compra de uma casa ou apartamento. Uma aquisição como essa deve ser muito bem pensada e realizada com toda a cautela que a situação exige.

Além disso, como a compra de imóveis envolve o pagamento de uma entrada e, mesmo que você já tenha esse montante reservado, talvez não convenha abrir mão de suas reservas econômicas, pelo menos por enquanto.

Oportunidade em meio à crise

Agora, é importante também considerar que toda crise revela ótimas possibilidades de economizar. Com o desaquecimento do setor imobiliário é provável que excelentes oportunidades apareçam no mercado a curto prazo.



Então, se você está em situação trabalhista estável e já estava se preparando para comprar um imóvel financiado, essa pode ser a sua chance de fazer um ótimo negócio, conseguindo uma oferta única.

Mais uma vez, tudo vai depender da situação que você estava antes da crise começar e, principalmente, como ela está afetando a sua vida e as previsões de futuros impactos, no médio prazo, para a sua atividade profissional.

Seja qual for a decisão tomada, siga a palavra de ordem do momento: cautela, cautela, cautela!



Medidas Anunciadas:

A sguir segue todas as medidas anunciadas pela Caixa:

Ações para Pessoas Físicas:



  • Implementada a pausa de 90 dias no financiamento habitacional, para clientes adimplentes ou com até 2 (duas) parcelas em atraso, incluindo os contratos em obra;
  • Possibilidade dos clientes que utilizam a conta vinculada do FGTS para pagamento de parte da prestação, pausar a parcela não coberta pelo FGTS por 90 dias;
  • Clientes adimplentes ou com até 2 (duas) parcelas em atraso poderão optar pelo pagamento parcial da prestação do financiamento, por 90 dias;
  • Prazo de carência de 180 dias para contratos de financiamento de imóveis novos;
  • Aos clientes que constroem com financiamento da CAIXA (construção individual) será permitida a liberação antecipada de até 2 (duas) parcelas, sem a vistoria;
  • Renegociação de contratos com clientes em atraso entre 61 e 180 dias, permitindo pausa ou pagamento parcial das prestações.

Ações para Empresas:



  • Antecipação de até 20% dos recursos do Financiamento à Produção de empreendimentos para obras a iniciar;
  • Antecipação da liberação dos recursos correspondentes a até 3 (três) meses, limitado a 10% do custo financiado, para obras em andamento e sem atrasos no cronograma;
  • Liberação de recursos de financiamento à produção não utilizados pela empresa nos meses anteriores, limitado a 10% do custo financiado;
  • Implementada a pausa no financiamento à produção de 90 dias, para clientes adimplentes ou com até 2 (duas) parcelas em atraso, incluindo os contratos em obra;
  • Permitir o pagamento parcial da prestação do financiamento, por até 90 dias, para os clientes adimplentes ou com até 2 (duas) parcelas em atraso;
  • Inclusão ou prorrogação de carência por até 180 dias, para os projetos com obras concluídas e em fase de amortização;
  • Possibilidade de prorrogação do início das obras por até 180 dias;
  • Admitir a reformulação do cronograma de obra, nos casos de contingências na execução por questões decorrentes da pandemia.

Atendimento digital

Para aproveitar uma dessas vantagens, esclarecer dúvidas e obter maiores informações, a CAIXA está disponível através dos seus canais digitais: Internet Banking, App Habitação CAIXA, telefones 3004-1105 e 0800 726 0505, opção 7, ou 0800 726 8068 para renegociação de contratos já existentes.